Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Dormir numa escultura em Guimarães

É uma escultura? Uma instalação? Uma pequena habitação vermelha? O Shelter é tudo isso e desafia o público a repensar a sua relação com a obra de arte. Quem quiser até pode dormir neste "abrigo" que está em exposição na Plataforma das Artes, em Guimarães.

 


Numa visita a este novo espaço da Capital Europeia da Cultura (CEC) é impossível não reparar numa escultura vermelha de formas arredondadas que se destaca ainda de longe. Se chegar mais perto, vai acabar por reparar que a escultura tem janelas e uma porta.

 

O projeto Shelter foi pensado especialmente para a CEC, que este ano decorre em Guimarães. Gabriela Gomes, artista e designer, tem desenvolvido trabalhos entre a linha ténue que separa mas também une a escultura e o design.

 

“A ideia inicial foi fazer uma escultura onde se pudesse dormir lá dentro”, explica ao SAPO Notícias, o que implicou o desenvolvimento de um “projeto multidisciplinar”, que foi buscar muito à arquitetura e à engenharia.

 

O Shelter (abrigo em português) é autónomo em termos energéticos através de painéis solares colocados no topo da construção, que é feita de madeira, cortiça e OSB (aglomerado de partículas de madeira longas e orientadas). O exterior é revestido de cortiça projetada que “funciona como um impermeabilizante”, explica Gabriela Gomes.

 

Depois das questões técnicas, o conforto dos utilizadores também foi uma prioridade, desde já com o uso de “formas arredondadas” que dão a sensação de “proteção”, diz a criadora do Shelter. Tudo para que as pessoas que escolham ali dormir tenham “uma experiência inovadora em termos de contato com o espaço”.

 

Uma noite no Shelter custa 100 euros para duas pessoas com direito a pequeno-almoço e mais alguns “miminhos” disponibilizados por alguns dos parceiros do projeto. Gabriela Gomes diz que já existem reservas e até uma oferta de compra da instalação a partir do Canadá. Para já, o Shelter continua na Plataforma das Artes, em Guimarães. Quem não quiser lá dormir, sempre pode tentar espreitar por entre as suas janelinhas redondas.

 

Alice Barcellos/SAPO Notícias

publicado por Equipa SAPO às 17:56
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

A Europa dentro de uma orquestra

Nuno Silva, português de 24 anos, Chiara Antico, italiana de 21 anos, e António Serrano, espanhol de 28 anos, conseguiram um emprego que corresponde à sua formação: são músicos da Fundação Orquestra Estúdio, em Guimarães.

 


 

O agrupamento musical, liderado pelo maestro Rui Massena, é uma das estrelas da companhia da Capital Europeia da Cultura, Guimarães 2012. “É uma orquestra de jovens, que tem muita garra e quer muito que isso signifique uma oportunidade para a sua vida artística”, conta ao SAPO Notícias Rui Massena.

 

Desde o final do ano passado, Guimarães ganhou novos habitantes que mudaram o cenário da cidade. “São 60 músicos a viver cá, portanto as pessoas dos restaurantes, cafés e teatros já conhecem toda esta população”, salienta o maestro. “É muito giro ver esta imagem dos músicos com os instrumentos às costas a passear pela cidade, eu acho que isso transforma de facto a cidade”, completa Rui Massena.

 

Para estes jovens músicos portugueses, e de outros países da Europa, estar na orquestra é uma oportunidade para trabalhar naquilo que estudaram durante muitos anos. “Tinha acabado a licenciatura, estava à procura de trabalho e ainda por cima foi naquilo que eu realmente gostava de fazer que era tocar em orquestra”, explica Nuno Silva, que toca trompa.

 

“Representa uma oportunidade para 60 jovens fazerem aquilo para que se formaram, pessoas que estudaram música para depois tocar e não para dar aulas”, nota Rui Massena, lembrando que “este é um dos dramas do nosso país e de muitos países”. “As pessoas formam-se para tocar e depois têm que dar aulas porque não têm lugares” em orquestras, justifica o maestro.

 

Depois de arrumar a sua viola, Chiara Antico diz que é a primeira vez que tem um contrato de trabalho tão longo. “É uma ótima oportunidade, sobretudo porque sou muito jovem e quero aprender com esta experiência”, afirma.

 

Já António Serrano lembra que conseguir um emprego como músico de orquestra está muito difícil, “especialmente para quem toca clarinete”, que é o seu caso. O espanhol reconhece que a cidade-berço acolheu os músicos de uma forma “fenomenal” e que já se sente um “vimaranense”.

 

E depois de 2012?

 

Rui Massena espera que no futuro o projeto Fundação Orquestra Estúdio possa perdurar. “Esta orquestra é uma plataforma para se continuar a trabalhar música em Portugal, para a instituição orquestra continuar a sobreviver, hoje mais adaptada à sociedade como nós a temos”, diz.

 

“Espero que isso seja uma semente que no futuro seja regada por alguém”, conclui o maestro.

 

Alice Barcellos/SAPO Notícias

publicado por Equipa SAPO às 11:09
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Cultura na cidade-berço

Guimarães é Capital Europeia da Cultura durante 2012. O SAPO Notícias quer sentir o pulso à cidade-berço através de reportagens, testemunhos e curiosidades.

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