Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Emigrantes vimaranenses reconhecem uma cidade mais limpa e segura

Em ano de Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, a cidade ficou mais limpa, policiada e com mais razões para ter saudades, dizem emigrantes vimaranenses que regressam todos os anos "à terrinha", no "querido mês de agosto".

 


Num concelho marcado pela emigração, as ruas e praças do Centro Histórico, durante os meses de férias, enchem-se de matrículas estrangeiras e de homens e mulheres, com sotaques estranhos, que pedem café com "lait".

 

Este ano, voltaram à cidade no verão da Capital Europeia da Cultura, vindos de Paris, da Suíça, do Luxemburgo e, numa vaga migratória mais recente, de Angola, para reconhecerem uma cidade diferente que os "enche de orgulho". Num ano, dizem, "a cidade mudou".

 

Numa mesa de café, no Toural, a Lusa encontrou Carlos Jesus ou "Biguinha", como é conhecido pelas ruas da cidade. Está em França, Paris, há 16 anos, voltou às lides vimaranenses para as férias e encontrou a mesma cidade, mas diferente.

 

"Vivo na cidade há 55 anos, estou fora há 16, mas evidentemente que notei diferenças. Há mais 'pessoal', espetáculos. As ruas estão bonitas, mas uma das coisas que eu reparei foi a limpeza. A cidade está muito bonita e limpinha", afirmou.

 

Entre a "emigrantada" e os turistas, "Biguinha" apontou as "coisas" novas na cidade, fruto das obras, ao abrigo de Guimarães 2012. "A zona de Couros, o jardim do Toural, o antigo Mercado Municipal, está tudo muito bonito. Gostava que isto continuasse assim", desejou. E o que sente por esta "nova" cidade? "Orgulho. Tudo que é da cidade Guimarães é bonito", respondeu.

 

Na mesma praça, na mesma rua, José Pereira, há 40 anos em França, passeia com a família, mulher e duas filhas. "Estou agora a ver as mudanças. Acho bonito", disse à Lusa. Mas, embora seja de cultura que se fala na cidade, outros equipamentos chamaram a atenção a este emigrante. "Por enquanto, vimos o centro comercial. Está muito bonito", referiu, explicando que "agora", depois da visita ao hipermercado, vai mostrar às filhas "Portugal, que elas pouco conhecem".

 

Da rua para a mesa de café de "Biguinha", da Europa para a África, surge outro emigrante, João Batista, em Angola há cinco anos. De 2011 para 2012 garante que as diferenças são "muitas", em Guimarães.

 

"É uma cidade muito mais moderna, limpa; muita autoridade que se vê pela rua, muito diferente", descreveu. Para este português vimaranense, ao fim de um ano, há uma "outra cidade" para ver. "Tenho que voltar a descobrir a cidade, sempre com mudanças", admitiu.

 

Apesar das alterações, para este João Batista, porém, uma coisa nunca muda - a partida. "A partida para a África é sempre difícil", assegurou.

 

Numa cidade marcada por 41 milhões de euros em obras, que se preparou para mais de 900 eventos culturais e milhares de turistas, em 2012, com mais polícia na rua e "muito mais limpeza", as diferenças entre Guimarães do ano passado e deste ano podem até ser explicadas de uma forma simples.

"É como tudo: na Páscoa as senhoras também limpam mais a casa", resumiu "Biguinha".

 

Agência Lusa/SAPO Notícias

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Cinema e música são duas apostas que se renovam em setembro em Guimarães 2012

O cinema brasileiro está em destaque em Guimarães 2012, no mês de setembro, com dois ciclos, e a música continua a encher o calendário da programação com destaque para a presença da violinista Viktoria Mullova e de Howe Gelb.


Cena do filme “Riscado”, de Gustavo Pizzi

 

O “Novíssimo cinema brasileiro” é o título do primeiro ciclo deste mês, que, entre 09 e 13 de setembro, dá a conhecer algumas das películas mais recentes deste país, numa progração definida por Américo Santos, do Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em sessões a decorrer no São Mamede.

 

São cinco filmes nunca estreados em Portugal, o mais antigo de 2007, que, segundo o programa, saem das mãos de “jovens cineastas que recusam um olhar televisivo e procuram retratar um Brasil sem enfeites, sem clichés”.

 

A mostra abre com “Riscado”, de Gustavo Pizzi, seguindo-se, a 10, “O Céu sobre os ombros”, de Sérgio Borges, que aborda o mundo da prostituição e da transexualidade.

 

A 11 de setembro, a noite é para ver “A falta que nos move”, de Christiane Jathay e, a 12, um filme que retrata o pesadelo social brasileiro, “A casa de Alice”, realizado por Chico Teixeira.

 

O ciclo encerra com um “road movie”, “Além da Estrada”, a estreia de Charly Braun, que recolheu alguns prémios em vários festivais internacionais.

É a Glauber Rocha (1939-1981), figura tutelar do “cinema novo” brasileiro, que é dedicado o segundo episódio deste mês dedicado ao Brasil, com a exibição de cinco filmes essenciais do realizador, também no São Mamede, entre 16 e 20 de setembro. O seu primeiro filme, “Barravento”, abre a mostra, seguindo-se “Deus e o diabo na terra do sul”, um retrato da pobreza e da violência no nordeste brasileiro.

 

“Terra em transe”, o filme que o consagrou, ao receber em Cannes, em 1967, o Prémio da Crítica, é exibido a 18 de setembro, seguindo-se “António das mortes”, também premiado em Cannes, mas com o prémio para a melhor realização.

 

O ciclo encerra com a “Idade da Terra”, justamente o último filme do realizador e um dos mais polémicos da sua carreira.

 

A mostra decorre em parceria com a Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, que vai exibir as mesmas obras do cineasta.

 

Música clássica em destaque

 

A música clássica vai continuar também a preencher a programação da Capital Europeia da Cultura, com destaque para a presença, este mês, no dia 14, da violinista de origem russa Viktoria Mullova que, com a Fundação Orquestra Estúdio, interpretará obras de Shostakovich, Strauss e Ravel e, em estreia absoluta, “Contraluz” do compositor português Pedro Faria.

 

Viktoria Mullova, conhecida pelas interpretações de JS Bach, Tchaikovsky ou Sibelius, mas também de composições vindas de outros universos, como os de Miles Davies, Duke Ellington, Alanis Morissette, Youssou N'Dour ou dos Beatles, ficou mundialmente conhecida quando em 1982, quando fugiu da URSS, aproveitando uma atuação na Finlândia, pouco depois de ter conquistado a Medalha de Ouro no Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo.

 

Com o namorado maestro e disfarçada com uma peruca loura, Mullova viajou com a ajuda de um jornalista para a Suécia, nesses anos da Guerra Fria, para descobrir fechada a embaixada norte-americana, onde tencionava pedir asilo político. Permaneceu dois dias fechada num quarto de hotel, enquanto as suas fotografias chegavam às primeiras páginas dos jornais.

 

Durante o mês de setembro, voltam a visitar Guimarães as orquestras do Algarve (a 7), a de Macau (a 22) e a Sinfónica do Porto (a 29), reforçando a aposta na música clássica, enquanto os amantes de outros géneros musicais vão ter de se contentar com a presença quase solitária de Howe Gelb, uma voz que ressoa à América profunda, algures entre Bob Dylan e Neil Young e que é a alma de projetos como Giant Sand ou Arizona Amp and Alternator.

 

Agência Lusa/SAPO Notícias

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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Dormir numa escultura em Guimarães

É uma escultura? Uma instalação? Uma pequena habitação vermelha? O Shelter é tudo isso e desafia o público a repensar a sua relação com a obra de arte. Quem quiser até pode dormir neste "abrigo" que está em exposição na Plataforma das Artes, em Guimarães.

 


Numa visita a este novo espaço da Capital Europeia da Cultura (CEC) é impossível não reparar numa escultura vermelha de formas arredondadas que se destaca ainda de longe. Se chegar mais perto, vai acabar por reparar que a escultura tem janelas e uma porta.

 

O projeto Shelter foi pensado especialmente para a CEC, que este ano decorre em Guimarães. Gabriela Gomes, artista e designer, tem desenvolvido trabalhos entre a linha ténue que separa mas também une a escultura e o design.

 

“A ideia inicial foi fazer uma escultura onde se pudesse dormir lá dentro”, explica ao SAPO Notícias, o que implicou o desenvolvimento de um “projeto multidisciplinar”, que foi buscar muito à arquitetura e à engenharia.

 

O Shelter (abrigo em português) é autónomo em termos energéticos através de painéis solares colocados no topo da construção, que é feita de madeira, cortiça e OSB (aglomerado de partículas de madeira longas e orientadas). O exterior é revestido de cortiça projetada que “funciona como um impermeabilizante”, explica Gabriela Gomes.

 

Depois das questões técnicas, o conforto dos utilizadores também foi uma prioridade, desde já com o uso de “formas arredondadas” que dão a sensação de “proteção”, diz a criadora do Shelter. Tudo para que as pessoas que escolham ali dormir tenham “uma experiência inovadora em termos de contato com o espaço”.

 

Uma noite no Shelter custa 100 euros para duas pessoas com direito a pequeno-almoço e mais alguns “miminhos” disponibilizados por alguns dos parceiros do projeto. Gabriela Gomes diz que já existem reservas e até uma oferta de compra da instalação a partir do Canadá. Para já, o Shelter continua na Plataforma das Artes, em Guimarães. Quem não quiser lá dormir, sempre pode tentar espreitar por entre as suas janelinhas redondas.

 

Alice Barcellos/SAPO Notícias

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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Plataforma das Artes quer ser novo polo cultural da cidade

O antigo mercado municipal de Guimarães é agora casa para um novo espaço da Capital Europeia da Cultura. Os portões e a estrutura do mercado foram mantidos mas no pátio interno ergue-se um edifício que contrasta de forma discreta com aquele cenário. É a Plataforma das Artes e da Criatividade.

 


 

O edifício, inaugurado no final de junho, quer reforçar a presença das artes plásticas na agenda da cidade, que até então não tinha um espaço de grandes dimensões para a realização de exposições. As obras demoraram pouco mais de um ano e o valor global do investimento foi de cerca de 16,6 milhões de euros.

 

A Plataforma das Artes apresenta ao público a exposição “Para além da história”, “uma exposição construída a partir da obra de José de Guimarães e a partir da coleção do artista”, explicou ao SAPO Notícias José Bastos, administrador da Oficina, instituição que gere a Plataforma das Artes e o Centro Cultural Vila Flor.

 

O espaço exterior do edifício salta à vista com dezenas de bancos que fazem lembrar o símbolo da Capital Europeia da Cultura. O coração de Guimarães 2012 encontra-se mesmo fixado à entrada da Plataforma das Artes.

 

“A praça exterior é um espaço que foi devolvido à fruição da população e que será também usado para programação cultural”, referiu José Bastos.

 

O ciclo Plataforma da Música arranca este sábado e vai transformar a praça exterior num grande palco. Até ao final de julho, o espaço recebe Manuel d’Oliveira, acompanhado por Carles Benavent e Jorge Pardo (dia 14), Dee Dee Bridgewater (dia 20), Pat Metheny (dia 21) e Ute Lemper (dia 28).

 

Em agosto, a programação é dedicada à música nacional. Na sexta-feira, dia 3, a Plataforma das Artes e da Criatividade dedica uma noite ao Fado com a presença de Carminho, Cuca Roseta e Ricardo Ribeiro. Nos dias 4 e 5, o ciclo encerra com os GNR e Zé Perdigão. Os bilhetes custam entre 5 a 10 euros, dependendo dos concertos.

 

Alice Barcellos/SAPO Notícias

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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Que tal fazer um piquenique em Guimarães este domingo?

Já cheira a férias e a passeios em família. E um piquenique vai bem com as duas coisas. Durante o verão, Guimarães lança o convite: vá até ao Parque da Cidade e leve uma manta, merenda e boa disposição.

 


 

A iniciativa chama-se Pic Nic Play e está inseria na agenda da Capital Europeia da Cultura. Acontece quinzenalmente no Parque da Cidade e promove várias atividades ligadas à música, desporto, animação, vendas de alimentos, artesanato, workshops e cinema.

 

O programa para este domingo inclui performances dedicadas ao tema da pintura do século XX, a criação de uma obra plástica composta por desenhos dos participantes, atividades desportivas e uma flashmob que irá começar na Praça de Santiago.

 

O “Oupa!Mob – mp3 experience”, irá decorrer ao ritmo de um ficheiro áudio, disponível para download no site do evento, que vai servir para sincronizar os participantes. Se quiser ser um deles, basta descarregar o ficheiro para um leitor de mp3.

 

Os próximos Pic Nic Play decorrem nas seguintes datas: 29 de Julho, 12 e 26 de Agosto, e 9 de Setembro. A entrada é livre e o evento decorre das 11h às 19h.

 

SAPO Notícias

Imagem: João Peixoto/Fundação Cidade de Guimarães

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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Guimarães retratada em quatro selos

A história e a alma da cidade foram a inspiração para uma coleção de selos dos CTT que começou a circular nesta quarta-feira e pretende dar mais notoriedade à Capital Europeia da Cultura 2012.

 


Estes quatro selos, e ainda um bloco filatélico, vão ser postos a circular pelos CTT - Correios de Portugal e contarão com uma edição de um milhão de exemplares com imagens alusivas à "História, Pessoas, Turismo, Espaço e Cidade".

 

A designer responsável pela conceção dos selos, Elizabete Fonseca, explicou que as "imagens escolhidas e tratadas" pretendem "mostrar a cidade e alma vimaranense em imagens com a dimensão de 4 centímetros por 3,06 centímetros".

 

Segundo a designer, "este não foi um desafio fácil" pois "passar uma cidade para um selo é complicado, quanto mais uma cidade com a dimensão histórica e cultural de Guimarães".

 

O lançamento desta coleção será ainda assinalado pelo envio de cartas a Maribor, cidade que é, a par com Guimarães, Capital Europeia da Cultura em 2012, e ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

 

Agência Lusa/SAPO Notícias

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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

A Europa dentro de uma orquestra

Nuno Silva, português de 24 anos, Chiara Antico, italiana de 21 anos, e António Serrano, espanhol de 28 anos, conseguiram um emprego que corresponde à sua formação: são músicos da Fundação Orquestra Estúdio, em Guimarães.

 


 

O agrupamento musical, liderado pelo maestro Rui Massena, é uma das estrelas da companhia da Capital Europeia da Cultura, Guimarães 2012. “É uma orquestra de jovens, que tem muita garra e quer muito que isso signifique uma oportunidade para a sua vida artística”, conta ao SAPO Notícias Rui Massena.

 

Desde o final do ano passado, Guimarães ganhou novos habitantes que mudaram o cenário da cidade. “São 60 músicos a viver cá, portanto as pessoas dos restaurantes, cafés e teatros já conhecem toda esta população”, salienta o maestro. “É muito giro ver esta imagem dos músicos com os instrumentos às costas a passear pela cidade, eu acho que isso transforma de facto a cidade”, completa Rui Massena.

 

Para estes jovens músicos portugueses, e de outros países da Europa, estar na orquestra é uma oportunidade para trabalhar naquilo que estudaram durante muitos anos. “Tinha acabado a licenciatura, estava à procura de trabalho e ainda por cima foi naquilo que eu realmente gostava de fazer que era tocar em orquestra”, explica Nuno Silva, que toca trompa.

 

“Representa uma oportunidade para 60 jovens fazerem aquilo para que se formaram, pessoas que estudaram música para depois tocar e não para dar aulas”, nota Rui Massena, lembrando que “este é um dos dramas do nosso país e de muitos países”. “As pessoas formam-se para tocar e depois têm que dar aulas porque não têm lugares” em orquestras, justifica o maestro.

 

Depois de arrumar a sua viola, Chiara Antico diz que é a primeira vez que tem um contrato de trabalho tão longo. “É uma ótima oportunidade, sobretudo porque sou muito jovem e quero aprender com esta experiência”, afirma.

 

Já António Serrano lembra que conseguir um emprego como músico de orquestra está muito difícil, “especialmente para quem toca clarinete”, que é o seu caso. O espanhol reconhece que a cidade-berço acolheu os músicos de uma forma “fenomenal” e que já se sente um “vimaranense”.

 

E depois de 2012?

 

Rui Massena espera que no futuro o projeto Fundação Orquestra Estúdio possa perdurar. “Esta orquestra é uma plataforma para se continuar a trabalhar música em Portugal, para a instituição orquestra continuar a sobreviver, hoje mais adaptada à sociedade como nós a temos”, diz.

 

“Espero que isso seja uma semente que no futuro seja regada por alguém”, conclui o maestro.

 

Alice Barcellos/SAPO Notícias

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Cultura na cidade-berço

Guimarães é Capital Europeia da Cultura durante 2012. O SAPO Notícias quer sentir o pulso à cidade-berço através de reportagens, testemunhos e curiosidades.

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Confira a programação completa da Capital Europeia da Cultura no site oficial.

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