Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

A história da fotografia através de uma "Câmara Escura"

 

O projeto "Câmara Escura" da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 retrata a história da fotografia com uma performance dentro de uma câmara fotográfica, exposições e música. Tudo "através de um pequeno buraco" que mostra o mundo.

 

A cargo da associação cultural Projeto BUH, "Câmara Escura" fotografou os "saberes de Guimarães" desde a cutelaria, curtumes e robótica. "O mais passado do passado e a projeção do futuro", explicou à Lusa Ricardo Seiça, responsável por este projeto. Uma caixa preta montada nos jardins do Palácio Vila Flor dá o cenário para o retrato da fotografia ao longo dos séculos. Uma "verdadeira máquina fotográfica em tamanho gigante", suficiente para 50 pessoas no lugar da película.

 

"Aqui funciona o mecanismo mais básico da fotografia. A luz projeta lá fora, bate num objeto e é projetada numa tela, invertida, a paisagem e as cores de lá de fora", explanou o responsável. As cores variam com a intensidade do sol. A paisagem é imutável e única: o Castelo de Guimarães envolto pela cidade estendida em seu redor. "Tudo através de um pequeno buraco cirurgicamente aberto na tenda", referiu Seiça.

 

Sentados pelo chão, em almofadas coloridas apagadas pela escuridão da câmara escura, os espectadores assistem a uma instalação performativa encenada por quatro atores. "Dão vida à história da fotografia, desde o século 5 a.C, com um chinês que descobriu este mecanismo de câmara escura, a Aristóteles que o refere, seguindo pelos séculos fora, passando pelos árabes que utilizarem este mecanismo no estudo dos astros ao impressionismo", descreveu Ricardo.

 

A história começa na fotografia e acaba na descoberta do cinema. "Com a descoberta da química consegue-se fixar a primeira imagem. Nasce a primeira fotografia numa chapa de cobre, descobre-se o negativo, a fotografia é reproduzida e democratiza-se. Este filme acaba com uma adaptação de "Uma Viagem à Lua", de Méliès", terminou. Fora da "gigante" câmara escura nos jardins, no estacionamento do Vila Flor, duas exposições, uma fotográfica, outra em vídeo.

 

"Pedro Medeiro fotografou os "saberes de Guimarães", expondo-os através de um olhar interpretativo de paisagens, imagens e corpos. Ao lado, uma instalação de vídeo de Nuno Patinho", adiantou o responsável. Destas imagens, fixas e em movimento, acompanhadas pela música de Filipe Raposo, resulta uma "poética" que transmite a "memória" da cidade que, segundo Ricardo Seiça, "revela um saber estar, uma atitude, o carácter" destas gentes vimaranenses.

 

"Apesar do senso miserabilista que tem pairado por causa da crise, encontramos uma atitude assertiva e arrojada", definiu. Até 17 de julho, 40 espetáculos, todos os dias, às 13:00 e às 15:00, porque são as horas a que o sol está numa posição que permite dar a luz à Câmara Escura. O custo do bilhete é de dois euros e o espetáculo é acessível para maiores de 8 anos. 

 

Agência Lusa/SAPO Notícias

Imagem: Guimarães/CEC 2012

publicado por Equipa SAPO às 18:56
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